A Norma politicamente correta
Há muita gente com problemas filosóficos seríssimos com a Norma Culta. Dizem que é estigmatizadora, discriminadora, elitista, etc. Dizem que a língua flui, evolui, se moderniza e atualiza continuamente e, portanto, seria um erro existirem em oposicão uma "norma culta", propriedade exclusiva das pessoas "cultas", de alta escolaridade, com diploma de curso superior, e uma "fala/escrita errada", característica dos coitadinhos marginalizados pelo sistema.
Acho tudo isso balela e acho que o problema está apenas na palavra "culta", que dá origem a essa ideia de status social e intelectual. Se em vez de "norma culta", usássemos "norma padrão" ou "norma uniforme", os problemas acabavam?
Porque o objetivo de se ter uma norma, uma gramática com jeito certo e errado de se falar e escrever, é permitir e facilitar a melhor comunicação entre seres humanos de toda e qualquer idade, toda e qualquer classe social, falantes da mesma língua. Se cada um resolver falar/escrever do jeito que der na telha, será a Babel, será impossível entender o recado do porteiro, o requerimento do advogado, a explicação da enfermeira e o manual de instruções.
Tem que haver uma norma. Que ela se modifique de tempos em tempos. Que ela aceite mais de uma possibilidade. Que seja. Mas tem que ter norma. Norma Culta ou Norma Padrão ou Norma Normal ou Norma da Silva Pereira. Mas que haja uma Norma.
E o melhor lugar para se aprender a Norma, ainda é, que remédio, na escola.
Tudo isso porque estive durante toda a semana passada numa cidade do interior de Minas Gerais, oferecendo um curso de atualização para os professores de ensino médio e fundamental da rede pública. E a falta de consideração pela Norma é total, tanto na fala coloquial entre pares (até aí, por mim, tanto faz), quanto em ambiente profissional formal (e é aí que, para mim, os problemas começam).
Professoras formadas, experientes, qualificadas, dizendo "ajuda nós a terminar o exercício", "os alunos é assim mesmo", em sala de aula. E querem que a garotada, no futuro, seja capaz de pleitear bons empregos, vagas em boas universidade, exercer plenamente a cidadania, etc. Bom emprego, exercício de cidadania como?, se não serão capazes de escrever uma carta, ou email, ou bilhetinho inteligível ao chefe, ao patrão, ao vereador do bairro, ao prefeito da cidade?
Pois é. Norma nelas.
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A questão, já exaustivamente explorada, do politicamente correto.
Ter orgulho de ser politicamente incorreto é como dizer: sou um filho da put@ e não me importo.
Eu queria saber de onde veio o advérbio "politicamente" para caracterizar a fala mais consciente e cuidadosa das pessoas "politicamente corretas". Da política?! Jura?!
Proponho o abandono do advérbio. Usemos apenas o "correto" e "incorreto".
Porque denominações jocosas, piadas racistas e quetais são incorretas e ponto final. São incorretas, inadequadas, equivocadas, de mau-gosto. São erradas. Politicamente, eticamente, esteticamente, filosoficamente erradas. Incorretas.
E o que se considera politicamente correto deveria ser apenas: correto.
1 Comments:
Fiquei com essa imagem: Dona Norma é uma senhora muito séria e correta. Já a tal de Norminha... meio dada a certas liberdades.
No mais, de acordo.
Bjs,
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