Mesa de Bar

Lugar pra se falar sobre tudo e sobre o nada.

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Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Sóbria, a maior parte do tempo. Na mesa de um bar me torno mais corajosa, mais sensível, mais emotiva, mais generosa. No bar e com umas cervejas a mais, as dúvidas se dissipam, as certezas afloram, as tristezas caem fora e a alegria reina. Sim, na mesa de um bar eu sou uma pessoa melhor do que fora dela.

segunda-feira, abril 04, 2011

As patricinhas do Anchieta

Daí que as menininhas não estão acostumadas a andar no centro da cidade de BH. Já foram ao Parque Municipal e ao Palácio das Artes uma ou outra vez, já foram ao Mercado Central um número igualmente pequeno de vezes. E não passa disso. Hipercentro, nem pensar. São garotas da Zona Sul (embora nascidas no Barreiro) e seu território de atuação se restringe ao Anchieta, Mangabeiras, Serra, Sion, Savassi, Buritis e eventuais visitinhas à Cidade Nova quando os avós maternos estão na cidade. Mas fui fazer a carteira de identidade das duas e bora lá pra Praça Sete providenciar o documento! Uma menina em cada mão, cortando caminho entre transeuntes, apertando o passo na travessia de pedestres, desviando dos passantes apressados. Me divertiu o olhar de espanto e perplexidade delas diante da variedade de tipos urbanos aos quais ainda não tinham sido expostas: -olhos arregalados do tamanho de pires pro pastor evangélico que pregava aos berros com a bíblia na mão e as perguntas que se impõe: "quem é esse homem? o que está fazendo? porque tem que gritar tanto?" -queixo caído e quicando três vezes no chão ao verem um frade franciscano vestido e tosquiado a caráter: "ele tá fantasiado?" -susto com o ceguinho batendo bengala no chão e trombando com a gente -medo dos mendigos, dos pedintes, dos aleijões em frente à igreja Mas não quero que minha filhas cresçam numa redoma chamada Zona Sul, guardadas de um mundo com o qual deveriam interagir e do qual não deveriam sentir receio. Eu e o Boêmio estamos marcando uma visita de busão (outra coisa que elas não conhecem) ao centro da cidade, com direito a pastel frito na hora e refresco por 1,00 real, com direito a moedinhas no bolso para dar a quem as peça, com direito a entrar nas lojinhas baratas pra comprar qualquer coisinha, com direito principalmente a descobrir que o Centro é um lugar muito legal, vivo, constrastante, pulsante, engraçado e sem frescura.

9 Comments:

Anonymous Ana Lúcia said...

Curti!

4/04/2011 4:39 PM  
Blogger Adrina said...

Meg, eu conheço mulheres de mais de 30 que nasceram e viveram em BH a vida toda e nunca pegaram um ônibus, nunca foram ao centro e nunca passaram pela Praça Sete a pé. A iniciativa é muito bacana porque não as deixa alheias ao mundo dos "diferentes", dos menos favorecidos, do "povão" em geral. A Praça Sete rende uma tese de doutorado em qualquer área das ciências humanas... eu trabalho exatamente na esquina, em frente ao obelisco, e me divirto, me espanto e me emociono todos os dias. Beijo!

4/05/2011 8:17 AM  
Blogger Claudia said...

Hahaha. Adorei!
Minha filha tem 4 anos e igualmente não conhece o centro da minha cidade - Curitiba - nem tampouco anda de ônibus. Pois fomos pra Bahia, de férias, em janeiro, e ela estrou no busão de linha em Salvador! Se divertiu e achou o máximo. Claro que não era na hora do rush, né? Mas...
Preciso levá-la também pra comer um pastel no centro (que aqui também se come pastel bom e barato nessas bandas).
bjos

4/05/2011 10:17 AM  
Blogger Ricardo Chácara said...

Eu morei por 9 anos em BH e sempre andei de onibus. Segundo grau e faculdade todo dia....mas o dia que marcou foi primeiro dia que andei de metrô. Bem diferente. Adicione este passeio a sua lista de afazeres populares Meg. Bjao

4/05/2011 6:05 PM  
Anonymous Anônimo said...

Eu trabalhei no centro de Bh e fui assaltada umas 3 vezes, quase todos os colegas tb... Boa sorte!

4/06/2011 4:30 PM  
Blogger MegMarques said...

Anônimo, eu morei no centro da cidade por alguns anos e nunca me aconteceu nada. Nem quando chegava em casa da farra, de madrugada, de ônibus, dividindo a calçada com as travecas. Não tenho do que reclamar. Acho que pode ser uma questão de acaso, sorte ou azar...

4/07/2011 9:34 AM  
Blogger K said...

Meg, os meus já tem problemas com carro.Só andam de ônibus, então quando entram num carro, principalmente com ar condicionado,estranham pra caramba, reclamam de dor de cabeça , enjoo...
E já foram ao centrão várias vezes já que nunca tive com quem deixá-los e se precisava ir, iam junto.Mesmo assim contunuam se espantando a cada vez.
Jujuba adora um pastel e Valon não deixa de comer o cachorro quente das Lojas Americanas.É praxe nas idas ao centro.

4/09/2011 8:32 AM  
Anonymous Anônimo said...

Minha maior diversão na infância era passar férias em BH e acompanhar minha vó nas visitas aos bancos e imobiliárias no centro da cidade. De ônibus, claro! Até hoje me lembro do número da linha que pegávamos...
Simone (Casinha de Boneca)

4/14/2011 9:48 AM  
Anonymous Anônimo said...

Acho muito legal essa iniciativa, andar de ônibus em BH é uma aventura que faz qualquer criança aprender a se virar no mundo, rsss. Quanto a assaltos, trabalho há 18 anos por aquelas bandas, e fui furtada uma vez (levaram minha bolsa enquanto eu experimentava sapatos numa loja boa) e no mais é transitar pra lá e pra cá na hora do almoço e quando tenho que ir a alguma instituição ali em volta...
Se a gente fica de bobeira, em qualquer lugar do mundo corre o risco de ser abordada por meliantes, mesmo em Roma, NY, Londres ou Paris...

11/20/2011 5:40 PM  

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