Mesa de Bar

Lugar pra se falar sobre tudo e sobre o nada.

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Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Sóbria, a maior parte do tempo. Na mesa de um bar me torno mais corajosa, mais sensível, mais emotiva, mais generosa. No bar e com umas cervejas a mais, as dúvidas se dissipam, as certezas afloram, as tristezas caem fora e a alegria reina. Sim, na mesa de um bar eu sou uma pessoa melhor do que fora dela.

domingo, junho 05, 2011

Florença

Ficamos quatro dias em Florença e foi o trecho mais rico e intenso, cultural e artisticamente falando. Vimos quase tudo o que o Firenze Card dava direito. Era muita coisa, demos prejuízo ao cartão, mas nós saímos no lucro.


No primeiro dia, fizemos um reconhecimento geral da cidade como um todo, andando muito a pé e usando o transporte público (aliás, não pegamos um único táxi a viagem inteira, só andamos de ônibus, trem, metrô e bonde elétrico). Rodamos pelo centro, fomos ao Museu Galileo (um museu sobre a história da Ciência, bem legalzinho), passamos pela Ponte Vecchio, Piazza della Signoria, fomos à Piazzalle Michelangelo, afastada do centro, bem no alto, onde se tem a mais bela vista da cidade e onde se encontra uma das igrejas mais antigas, pequena e bonita da cidade, a São Miniato al Monte. Nessa igreja, os monges que vivem enclausurados rezam missas em canto gregoriano. Chegamos bem a tempo de ouvir o começo da missa. Belíssimo. Boêmio cochilou logo às primeiras notas. Com medo que roncasse alto, acordei-o e fomos embora ainda antes do credo.



Na volta para o centro, descemos pelo Giardino delle Rose, coisa muito linda, com espécies e híbridos raríssimos, o que nos encheu os olhos de beleza e os corações de vontade de lotar a nossa casinha ainda mais de flores.




Ponte Vecchio, ao fundo. Acima das lojinhas pode-se ver uma sequência de janelinhas equidistantes. É o corredor Vasari, que ligava o palácio dos Medicis à catedral e por onde os Medicis passavam quando iam ao centro da cidade, sem ter que se misturar com a gentalha das ruas. Atualmente abriga uma preciosa coleção de arte, mas só está aberta alguns meses por ano. Não fomos.




Cópia do Davi de Michelangelo, na piazza della Signoria. O original está protegido das intempéries e dos vândalos na Galleria dell' Academia.



Segundo dia. Dia de Galeria Uffizi, a maior coleção de arte da Itália e portanto uma das maiores do mundo. Programa prum dia inteiro, ou quase. Aqui meu queixo caiu no chão e quicou três vezes. Várias vezes. As obras-primas dos grandes artistas não são consideradas assim à toa. Os grandes artistas não são considerados grandes à toa. É um tremendo impacto visual estar frente à frente a uma das grandes telas de Botticcelli. E de Tintoretto. E de Michelangelo. E de Da Vince. E de tantos outros. Há que segurar as lágrimas, pois de olhos marejados não se enxerga direito e tudo o que se quer é devorar com os olhos tanta beleza.



Lágrimas enxutas, emoções recompostas, ainda deu tempo de ir ver o Davi verdadeiro na Academia. Vale a pena, nem que seja só por ele (e tem muito mais!). Ficamos impressionadíssimos. Com a imponência, com a expressividade, com a perfeição. Só vendo. É muito diferente de ver por foto.



No caminho para o hotel, voltinha pela Piazza della Republica, ver o enorme javali de bronze. Os pés latejavam, as pernas tinham cãimbras, os tendões repuxavam, precisamos de um descanso. Pois à noite tinha uma exposição muito legal e didática no Palazzo Strozzi sobre Picasso, Dalí e Miró, os pontos convergentes iniciais, as rupturas, a identidade estética alcançada por cada um, etc. Fora o Palazzo que é belíssimo.



Terceiro dia. Começamos cedo pelo Palazzo Davanzati. É um museu que recria, com peças originais, uma típica casa florentina do século 14 (casa de gente rica, claro). Muito, muito interessante. De lá, o famosíssimo Duomo de Santa Maria del Fiore, os portões de bronze do seu batistério. Sim, sim, muito lindo. Mas, vocês sabem, nada chega aos pés da catedral de São Marcos em Veneza. Esnobes, nós.




Santa Maria del Fiore. Linda, rica, suntuosa. Mas São Marcos é São Marcos.



Em seguida, numa maratona espetacular, mas não menos atenta ou interessada: Palazzo Medici-Ricardi (residência urbana da família Medici, antes do Palazzo Pitti ficar pronto), Capela dos Medici (luxuosíssimo mausoléo), almoço no Mercado Central, Capela Brancacci (recomendo muito!), Farmácia de Santa Maria Novella e Palazzo Vecchio.



Já a noite, caímos na armadilha do Museu da Tortura. Ruim como ser esfolado dentro de um barril de vinagre. Não valeu.



Mas a Farmácia foi uma agradável surpresa indicada pela agente de informações turísticas, brasileira, por sinal. Não aparece na maioria dos guias, mas eu indico como atração imperdível de Florença. no ano de 1200 e pouquinho, uns monges estabeleceram seu mosteiro nas proximidades da Igreja de Santa Maria Novela. Ali, na sua horta, eles cultivavam plantas medicinais que eram usadas na farmacinha do mosteiro para fazer xaropes, emplastros, pomadas e tal. Cerca de 1600, começaram a comercializar sua produção de medicamentos para terceiros e abriram uma lojinha. A fama dos produtos cresceu, viraram uma fábrica de verdade, venderam a fábrica para industriais que mantêm o negócio até hoje, com altíssima qualidade. E a lojinha cresceu e virou simplesmente um dos lugares mais agradáveis de se estar em Florença. É linda, linda, linda. E perfumadíssima, já que agora eles não fazem mais remédios de verdade, mas se dedicam ao setor de perfumaria em geral: sabonetes, pout-pourris, talcos, sais de banho, loções e mais milhares de produtos deliciosos e muito caros. O aroma daquele lugar me acompanha em sonhos... como eu queria que minha casa cheirasse daquele jeito...




Pôr-do-sol nas varandas do andar superior do Palazzo Vecchio, música belíssima dos artistas de rua, subindo da praça. Momento romântico.



No quarto e último dia, por fim, mas não menos importante, o Palazzo Pitti. Os Pitti, rica e importante família florentina, eram rivais dos Medici. Para se exibirem, começaram a construção do mais magnífico palácio da cidade. E foi tanta encomenda de mármore, de granitos, de vidraria, de madeiras nobres e etc que foram à falência. Adivinha quem comprou o palácio ainda não terminado? Sim, eles, os Medici. Ui, deve ter doído no orgulho. Enfim, este palácio enorme abriga hoje seis museus, todos eles grandes: a Galeria Palatina, os Apartamentos Reais, o Museu das Porcelanas, o Museu da Prata (os tesouros acumulados pelas várias gerações), a Galeria de Arte Moderna (não se engane, o que eles chamam aqui de arte moderna é a da primeira metade do século XIX), a Galeria dos Costumes (roupas masculinas e femininas, de 1500 até hoje, recomendo com força!). E ainda inclui um passeio aos Jardins de Boboli.

Programa para o dia inteiro. E para chegar exausto à noite.




Semelhante ao nosso apartamento do Buritis, esta é a área externa privativa do Palazzo Pitti, os jardins do paisagista Boboli para os Medici. Tirando as estátuas, as fontes, as grandes árvores, as escadarias, a gruta, o coreto e o belvedere, nada que nós também não tenhamos em casa.



E agora vamos para a caminha, que amanhã cedo pegamos um carro alugado e vamos passear pela Toscana.

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