Mesa de Bar

Lugar pra se falar sobre tudo e sobre o nada.

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Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Sóbria, a maior parte do tempo. Na mesa de um bar me torno mais corajosa, mais sensível, mais emotiva, mais generosa. No bar e com umas cervejas a mais, as dúvidas se dissipam, as certezas afloram, as tristezas caem fora e a alegria reina. Sim, na mesa de um bar eu sou uma pessoa melhor do que fora dela.

sábado, outubro 29, 2011

Dia 07: Um livro que odiei mas tive que ler para a escola

Não lembro de ter odiado nenhum livro que li para a escola. Nos verdes anos de escola, eu gostava de todos os livros que lia. Gostava mais de alguns e menos de outros, mas sempre gostava. O que eu não gostava é que a escola muitas vezes indicava a versão condensada de livros clássicos e não a versão integral, como se fossêmos burrinhos demais para ler qualquer coisa com mais de duzentas páginas ou com um vocabulário mais refinado. A editora Ediouro era quem normalmente fazia o desfavor de traduzir, condensar e, frequentemente, RECONTAR a história, portanto empobrecendo sobremaneira, o melhor da literatura mundial. Foi assim com Winnetou, de Karl May (que eu adorei); com Sem Nome e Sem Ninguém, de Gene Stratton-Porter; com A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe; entre outros.

O resultado disso é que depois de ler a versão recomendada pela escola, eu tinha que ir à biblioteca, ou à casa de alguém, e buscar a versão verdadeira, pois sabia que o que tinha lido era uma coisa pasteurizada, homogeneizada e sem sal.

E foi assim, recontado e requentado, que li pela primeira vez o Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte. Não cheguei a odiar, mas também não achei grande coisa. E, verdade seja dita, também não achei a versão integral, da autora, tão fantástica assim.


"Minha caminhada até Thrushcross Grange foi interrompida por uma visita ao cemitério da igreja. Descobri sem dificuldade as três lápides. A do meio era cinzenta, e aparecia em meio às urzes. A grama cobria a de Edgar Linton. A de Heathcliff era inteiramente visível à luz da Lua. Demorei-me um pouco contemplando-as, sob a suave claridade do céu. Ouvi perpassar de leve o vento, e fiquei pensando como poderia alguém imaginar um sono inquieto para aqueles ali que dormiam sob a terra imóvel."

2 Comments:

Blogger Rubão said...

Nunca descobrimos no tempo certo o que pode, eventualmente, fazer sentido mais tarde. Certamente isso não acontecerá por meio de obras editadas e condensadas. Pensando bem, isso é uma deslealdade com o escritor. Ele jamais, dessa maneira, te alcançará.

10/30/2011 12:48 AM  
Blogger Inaie said...

Eu so me lembro de ter lido livrinhos agua com acucar na escola.

inaier.blogspot.com

10/30/2011 3:10 AM  

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