Mesa de Bar

Lugar pra se falar sobre tudo e sobre o nada.

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Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Sóbria, a maior parte do tempo. Na mesa de um bar me torno mais corajosa, mais sensível, mais emotiva, mais generosa. No bar e com umas cervejas a mais, as dúvidas se dissipam, as certezas afloram, as tristezas caem fora e a alegria reina. Sim, na mesa de um bar eu sou uma pessoa melhor do que fora dela.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Dia: 02: Livro que não gostei

Permitam-me uma pequena digressão antes de continuar. Estava eu pensando sobre os livros que li, o que gostei e não gostei, e me dei conta de que podia afirmar ter gostado de todos os livros que li na infância e adolescência. Somente a partir do início da idade adulta começam a aparecer na minha memória alguns livros de que, de fato, não gostei.

Aparentemente, pode-se pensar que, nos verdes anos da juventude, só fui exposta a literatura de excelente qualidade. Mas, refletindo melhor, acho que a explicação não é bem essa. Infância e adolescência: personalidade em formação, gosto literário em formação, pouca capacidade crítica. Se gostei de tudo o que li, não foi porque tudo o que li era bom , mas porque eu não sabia julgar exatamente o que era e não era bom. Com a maturidade, ali pelos vinte, vinte e pouquinhos anos, comecei a perceber as fraquezas estilísticas, a feiúra de determinadas construções frasais, a inconsistência de certas estruturas narrativas. Comecei a não gostar de algumas coisas.



Entro então no assunto de hoje. Estava eu na graduação, vinte anos, por aí. Paulo Coelho já era sucesso editorial com O Diário de um Mago e O Alquimista. E eu lia muitas críticas absolutamente negativas sobre ele e sua obra, mas havia muita gente ao meu redor que comprava e comentava e gostava de Paulo Coelho.



Nunca suportei não ter opinião sobre tudo. Tinha que ler um livro dele para poder defender ou atacar. E então ele lançou As Valquírias que peguei emprestado de uma colega de faculdade e foi talvez o primeiro livro que eu detestei com muita força. Li do começo ao fim, masoquisticamente, sem pular páginas. Achei a historinha frouxa e sem conexão entre os elementos (um casal que se mete pelos desertos do meio-oeste norte-americano procurando os anjos da tradição judaico-cristã e acabam encontrando um grupo de senhoras amazonas, remetendo à mitologia nórdica, que andam por ali meio a esmo), achei uma pobreza vocabular espantosa, achei a escrita pueril, convencional, sem sal.

Sendo eu, ou pretendendo ser, magnânima, ainda dei outra chance ao P. Coelho e comecei, depois d'As Valquírias, O Diário de um Mago, mas não passei dos dois primeiro capítulos. O cara é ruim mesmo.








"As Valquírias desceram. As roupas de couro, os lenços coloridos tapando parte do rosto, deixando apenas os olhos de fora, para não respirarem a poeira. Tiraram os lenços, e esfregaram-nos nas roupas negras, sacudindo o deserto dos seus corpos. Depois colocaram-nos no pescoço, e entraram no snack-bar. Eram oito mulheres.”

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