Mesa de Bar

Lugar pra se falar sobre tudo e sobre o nada.

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Local: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

Sóbria, a maior parte do tempo. Na mesa de um bar me torno mais corajosa, mais sensível, mais emotiva, mais generosa. No bar e com umas cervejas a mais, as dúvidas se dissipam, as certezas afloram, as tristezas caem fora e a alegria reina. Sim, na mesa de um bar eu sou uma pessoa melhor do que fora dela.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Fragmentos

Meu computador está sendo desfragmentado. A interrogação me sobe do tornozelo à testa.
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Bibi tem medo do mundo porque não entende como ele funciona. Então, pediu de Natal um livro "que explique tudo sobre todas as coisas importantes do mundo".
Será que a Enciclopédia Britânica é um presente adequado para quem tem só cinco anos? E será que explica o que ela realmente quer saber?
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Na sala, dançamos todo o High School Musical III. Na maior animação, fazendo coreografias, passinhos cadenciados. Janelas abertas, luzes acesas, a vizinhança admirada da nossa festa particular em plena noite de semana.
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Laura me pede pra colocá-la em uma aula de dança, mas não balé. Tem que ser street dance.
Bibi me pede um curso de DJ, "mas dj de hip-hop, tá mãe?"

Já é, bro.
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Não me perguntem pelo trabalho. Atarantada é pouco neste fim de semestre.
Tenho trabalho de campo até o dia 22/12.
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Comentando os acontecimentos recentes:
- que pena o jornalista ter errado a sapatada no Bush.
- que sorte a da Susana V, não?
(hoje, eu estou má)
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Não bastasse a chuva e o caos que ela provoca no já difícil trânsito de BH, a Tota-Tola fez um comboio de cinco ou seis caminhões e igual número de vans com o Papai Noel pelas ruas da cidade, escoltado ainda por várias viaturas policiais. Tá certo, nesta cidade não tem bandido, a polícia não tem mais o que fazer além de escoltar veículos particulares de grandes empresas...
E foi bem no horário do rush, bem no meu caminho de volta a casa. Engarrafamento dusinfernus.

O bom velhinho me acenou quando o ultrapassei. Exerci o máximo auto-controle pra não lhe mostrar o dedo feio.

Detesto Papai Noel, velho embusteiro duma figa.
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Caso Pluvioso (C.D. de Andrade)

A chuva me irritava. Até que um dia
descobri que maria é que chovia.

A chuva era maria. E cada pingo
de maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhados, me deixava
como terra que a chuva lavra e lava.

E eu era todo barro, sem verdura...
maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto,
pensamento, desejo, sono e o resto.

Era chuva fininha e chuva grossa,
matinal e noturna, ativa... Nossa!

Não me chovas, maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.

Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!

Eu lhe dizia - em vão - pois que maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.

E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,

que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.

Chuvadeira maria, chuvadonha,
chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!

Eu lhe gritava: pára! e ela, chovendo,
poços d'água gelada ia tecendo.

Choveu tanto maria em minha casa
que a correnteza forte criou asa

e um rio se formou, ou mar, não sei,
sei apenas que nele me afundei.

E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de maria mais chuvavam,

de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,

e era o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.

Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando

contra essa chuva, estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).

Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas d'água mais deliram,

e maria, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.

Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,

e maria chovendo. Eis que a essa altura,
delida e fluida a humana enfibratura,

e a terra não sofrendo tal chuvência,
comoveu-se a Divina Providência,

e Deus, piedoso e enérgico, bradou
Não chove mais, maria! - e ela parou.

6 Comments:

Blogger Rubão said...

Ô, Maria, por alegria, ou cortesia, chove ni mim.

12/16/2008 5:23 PM  
Anonymous Anônimo said...

Bate a chuva, tic...tic...
Nas vidraças da janela.
Canta a chuva, tic...tic...
Que linda canção aquela!

Tic...tic...tic...tic...
Que linda canção aquela
De meninas ao despique:
- Qual de nós será mais bela?

Meninas a fazer meia
Com as nuvens de novelo,
Nenhuma delas é feia!

Tic...tic...tic...tic...
Tenho um medo que me pelo,
Que alguma delas me pique.

António de Sousa, in Boletim Cultural

12/17/2008 10:52 AM  
Anonymous Anônimo said...

Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.

Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.

Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.

Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.

Hora de jogar









Luísa Ducla Soares, A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Teorema

12/17/2008 10:52 AM  
Blogger Maria said...

Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.


Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.



Fernando Pessoa, 15-11-1930

12/17/2008 10:58 AM  
Blogger Maria said...

Freud explique a contradição da burguesinha:
Não gosto dos dias chuvosos mas me sinto muito bem nos dias de chuva?!

12/17/2008 10:59 AM  
Anonymous Anônimo said...

Com os vagares da tarde no salão li as reportagens da Veja e Isto é sobre a Susana V.
Eu ando tão por fora que nem sabia que homem tinha morrido!
Olha que foi mais do que sorte a da Susana: foi a sorte grande! Não é maldade tua, não!
Como a "outra" foi procurar uma peça daquelas?

12/18/2008 10:33 AM  

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